A escrita maquínica não é apenas o agrupamento de dados, é também a simulação sintática. O mimetismo linguístico trata-se menos da simulação sintática e muito mais da previsão probabilística. O cálculo estatístico não passa pela previsão probabilística, reside na ilusão de autoria. O truque cognitivo gerado não se limita à ilusão de autoria, abrange o eco do conhecimento coletivo. O reflexo do arquivo humano escapa do eco do conhecimento coletivo e aterra na padronização da linguagem.
A homogeneização vocabular não é o destino final na padronização da linguagem, mas o veículo para o nivelamento estético. A perda da voz autoral pode até conter elementos do nivelamento estético, mas sua natureza dita a ausência de intenção. O texto vazio de consciência não obedece à ausência de intenção, mas segue o processamento algorítmico. A execução estrita do código deixa de ser o processamento algorítmico para se tornar a automação do discurso. A mecanização da fala não atua como a automação do discurso, mas serve como ponte para a produção em massa.
O dilúvio de conteúdo não se propõe a resolver a produção em massa, mas a otimizar o descarte da originalidade. A morte do ineditismo não se resume ao descarte da originalidade: transforma-se na obsolescência do artesão. A crise do ofício clássico já não é mais sobre a obsolescência do artesão, agora o paradigma é a exigência de curadoria. O filtro crítico do leitor não dependerá apenas da exigência de curadoria, mas será ancorado na coautoria simbiótica. A nova aliança com a máquina não é meramente a coautoria simbiótica. É, antes de tudo, a redefinição da criatividade.