1.
Voando na escuridão. A neve são pontos brancos espalhados no preto, movendo-se coordenados. As linhas em diagonal dão a velocidade do deslocamento. De repente no chão. É uma floresta. Silhuetas indicam as figuras de uma tribo. Tem traços grossos de desenho. Olhos destacados da face. Azuis, em contraponto a todos os tons escuros.
2.
Chove. Um homem caminha no mato alto. O relampejo denuncia os seus perseguidores: um grupo de homens-palito, enfileirados como em recortes de papel feitos por uma criança na escola. O homem os derrota um a um. Tem uma violão. Usa-o como porrete. Tira uma corda. Usa-a para enfocar um dos inimigos: “É difícil saber quando sufocam, pois o seu pescoço é só um risco grosso”. Morto o adversário, ele enfia as mãos em seu peito para devorá-lo. É pura tinta, mas ele já está aqui há tempo o suficiente para ter se acostumado a comer apenas tinta.
3.
Uma mulher nua no pote de vidro em que guardamos o que sobra da comida. Ela se deita entre as batatas-fritas. Com um tanto de uma delas. Eu tampo o pote e a coloco na geladeira. Lá supõem-se muitas outras como ela. Na maionese. No feijão e arroz.
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Textos componentes da série Meditações. Criados desde o álbum Relaxing and Calm White Noise, de Arx.